Preciso usar ácido todos os dias?

É verdade que os benefícios dos ácidos são cumulativos e que o uso a longo prazo é ótimo para a pele. Mas se você não quer usar esses ativos todos os dias, não tem o menor problema.

Algumas pessoas não precisam de mais do que 3 ou 4 usos por semana para manter os efeitos em dia – isso também se aplica às peles mais sensíveis, que não toleram o uso diário.

Irritação não quer dizer que o produto está fazendo mais efeito. Acredite: você vai se beneficiar de não irritar o rosto. Abusar dos ácidos pode trazer prejuízos.

Usando menos vezes por semana, você pode conquistar o mesmo resultado a longo prazo. A constância é a regra! Seja duas ou sete vezes por semana, manter a rotina é fundamental.

Para o melhor skincare conheça a sua pele, ouça o que ela tem a dizer. Ela vai te mostrar qual é a frequência ideal para você, que é única.

Precisamos falar sobre “clean beauty”

Clean beauty” é uma indústria milionária que deu um boom desde 2018, com o surgimento de inúmeras marcas alegando esse novo conceito. Segundo elas, ele seria, de alguma forma, sinônimo de skincare natural. Muitas vezes os produtos também são chamados de não-tóxicos. Mas a verdade é que todos esses termos são incrivelmente vagos.

Como médico e especialista em dermatologia, fico confuso tentando entender do que os consumidores e marcas estão falando – e vou desenvolver o meu ponto de vista profissional para você.

Como tudo isso começou?

Vamos voltar alguns anos no tempo. Algumas marcas surgiram com o termo “clean beauty“, demonizando ingredientes aleatórios e alegando superioridade porque não usavam tais ingredientes.

É importante dizer que essa “lista de ingredientes proibidos” foi feita por um grupo de pessoas que não são cientistas, não são pesquisadoras, não são médicas. São pessoas que às vezes interpretam erroneamente a literatura médica e usam disso para promover produtos por puro interesse financeiro.

O que acontece é que o mundo está gastando bilhões de dólares por ano em produtos que sequer têm um conceito definido do que são.

A Food and Drug Administration (FDA), por exemplo, não tem definição do que são cosméticos “clean beauty” nem de não-tóxicos.

Então, do que as marcas estão falando?

Nada!

Em resumo, podemos dizer que “clean beauty” é apenas uma estratégia de marketing para vender produtos que alegam ser superiores, mas não têm respaldo algum da ciência.

Não estou aqui para dizer para você abandonar seus produtos “clean”, nem para dizer que são ruins. Apenas digo que não diferem em nada dos outros produtos.

O que a ciência mostra?

Os ingredientes que o movimento escolheu demonizar e remover de seus produtos são ativos usados há décadas na dermatologia. Nós, os profissionais da área, os conhecemos profundamente e eles funcionam muito bem.

O propilenoglicol foi atacado por ser uma substância “anticongelante”, mas na verdade é um ingrediente encontrado em centenas de medicações. Ele ajuda os ingredientes a penetrarem na pele, auxiliando a ação da medicação – além de ser umectante.

Outro ingrediente demonizado é o tão benigno petrolato, que é acusado de ser tóxico e carcinogênico. E isso não é verdade. É um dos ingredientes preferidos dos dermatologistas. É um ingrediente fantástico, um poderoso hidratante que ajuda muito na pele sensível e ressecada, além de ser não-alergênico. Não é nem HIPO-alergênico: dentre todas as coisas que você poderia aplicar na sua pele, petrolato é provavelmente a substância mais segura porque não penetra. Ele é tão seguro que pode ser aplicado em pele lesionada ou queimada, o que ajuda muito na cicatrização e prevenção de infecções. O ataque ao óleo mineral ou petrolato é completamente infundado e não tem nenhum respaldo científico. A única literatura que fala mal do petrolato é produzida pela própria indústria “clean” com interesse em promover seus produtos livres de pretrolato.

Outra ideia que a indústria cosmética do “clean beauty” coloca na cabeça dos consumidores é que os conservantes são substâncias a serem temidas, que são disruptores endócrinos. E, novamente: nenhum, nenhum dado científico sobre isso. Nós usamos esses ingredientes por décadas e décadas e não há nenhuma correlação entre esses conservantes e nenhuma doença humana.

Parabenos são demonizados enquanto na verdade são os conservantes mais seguros nos produtos de skincare. Em 2019 a Associação Americana de Dermatologia classificou os parabéns como os conservantes mais seguros e os menos prováveis de causarem problemas como irritação e sensibilidade. E parabenos, no momento, têm uma péssima fama por razão alguma.

Outros conservantes atacados são os liberadores de formaldeído, que tanto na Europa quanto nos EUA já foram estudados e classificados como substâncias absolutamente seguras. Infelizmente essa mania de evitar conservantes (que, a propósito, são MUITO importantes nos produtos de skincare) já levou a sérios problemas envolvendo produtos contaminados por fungos e bactérias nos Estados Unidos. Isso é um assunto sério. Nós PRECISAMOS de conservantes nos nossos produtos para que eles se mantenham seguros. Mas, por algum motivo, a indústria “clean” decidiu que conservantes são ruins (e casos de infecções de pele e oculares já foram relatadas por uso de produtos sem conservantes e contaminados).

Um dos problemas criados por essa onda “paraben-free” foi que a indústria substituiu os parabenos por um conservante chamado isocianato de metila, que é muito sensibilizante e mais provável de causar dermatite de contato alérgica nas pessoas. Como resultado, hoje nós temos um aumento da incidência de pessoas desenvolvendo dermatite de contato devido ao isocianato de metila.

Muitas vezes as empresas constroem campanhas de marketing, até citando artigos científicos interpretados de forma errada. Muitas vezes essas pessoas apenas não têm a formação necessária para interpretar um artigo científico e seus resultados, sua reprodutibilidade na população. São empresas e grupos interessados em promover seus produtos como se fossem superiores. 

O polietilenoglicol é muito utilizado nos cosméticos, o que facilita o seu enxágue principalmente em produtos de higiene corporal ou facial. O site ewg.org, por exemplo, o classifica como “substância de risco moderado” ao mesmo tempo que admite que “não existem dados o suficiente para se afirmar isso”.

Você pode desenvolver alergia a qualquer coisa, inclusive aos ingredientes que alegam ser “clean”. Na verdade, você tem mais chances de ter a pele sensibilizada, muitas vezes porque esses produtos levam óleos essenciais em sua composição e extratos botânicos que podem ser a origem da sua dermatite de contato irritante ou alérgica, ou mesmo fotodermatose, que é um rash que se desenvolve quando você se expõe ao sol após aplicar determinados extratos botânicos na pele.

Concluindo, é muito mais provável você ter uma reação alérgica usando produtos “clean”, que levam óleos essenciais e extratos botânicos, do que produtos com parabenos (que são muito mais seguros).

REFERÊNCIAS

The NPD Group. U.S. Prestige Beauty Industry Sales Grow 6 Percent in 2018, Reports NPD. Makeup In-Depth Consumer Report 2018.

Fransway AF, Fransway PJ, Belsito DV, et al. Parabens. Dermatitis. 2019;30(1):3-31 Deza G, Giménez-Arnau AM. Allergic contact dermatitis in preservatives: current standing and future options. Curr Opin Allergy Clin Immunol. 2017;17(4):263-268.

Califf RM, Shinkai K. Filling in the evidence about sunscreen. JAMA. 2019;321(21):2077-2079. Kiken DA, Cohen DE.

Contact dermatitis to botanical extracts. Am J Contact Dermat. 2002;13(3):148-152. Corazza M, Borghi A, Lauriola MM,

Virgili A. Use of topical herbal remedies and cosmetics: a questionnaire-based investigation in dermatology out-patients. J

Natural Does Not Mean Safe—The Dirt on Clean Beauty Products. JAMA Dermatol. 2019;155(12):1344-1345.

Sinais de que você está esfoliando demais a pele

Sim, esfoliação exagerada do seu rostinho pode não ser uma ideia tão boa… Isso porque você pode comprometer a barreira da pele, propiciando o surgimento de dermatites e a proliferação de bactérias responsáveis pela sensibilidade e pela acne. Ruim, né? Portanto, seja com esfoliantes químicos ou físicos, respeite sua sensibilidade.

Listamos algumas dicas do médico Luiz Romancini, que é especialista em dermatologia. Confira!

Atenção aos sintomas!

Descamação, ardência, sensação de calor e coceira são indicativos. E é bom prestar atenção, porque botar o rostinho no sol durante esse período pode manchar a pele. Principalmente se você esquece de usar protetor solar.

Pele ressecada e sensibilidade a outros produtos também são sintomas.
Recomendamos dar uma pausa nos produtos mais irritantes e caprichar na hidratação e o cuidado com o skincare deve ser redobrado.

Dicas de ouro

  • Use pequenas quantidades de esfoliantes químicos
  • Aplique-os duas horas depois de lavar e hidratar a pele
  • Não use esfoliantes químico e físico juntos
  • Pela manhã: lave, hidrate e use protetor solar

Como recuperar a pele sensibilizada pela esfoliação?

  • Suspenda o uso dos ácidos
  • Abuse da hidratação e proteção solar
  • Reintroduza a esfoliação com o ácido aos poucos na sua rotina
  • Pela manhã: lave, hidrate e use protetor solar
  • Suspenda o uso se a irritação retornar
  • Se a irritação estiver forte, procure um médico

Já ouviu falar em N-beauty? Conheça a rotina de skincare nórdica

O beauty influencer Ale Reiis ficou apaixonado pela N-beauty – ou “nordic beauty” – desde que conheceu a tendência. “Eu tô sempre pesquisando o universo da beleza, é o foco do meu trabalho! E aplico todos os ensinamentos antes de compartilhar. Quando testei, achei tudo a ver comigo”, conta.

Segundo ele, vai muito além dos passos de beleza: há toda uma cultura por trás desse termo. “Os nórdicos defendem o minimalismo. No skincare, apostam em poucos passos, mas efetivos. Menos é mais”, explica. 

O conceito se estende ao DNA das marcas, que costumam pensar em consumo consciente, não testar em animais e muito mais. “Elas geralmente escolhem ativos mais poderosos, regionais e naturais, focados na sustentabilidade. Há uma preocupação até mesmo com a embalagem do produto, que geralmente é minimalista e funcional.”

Para Ale, é preciso repensar nossos hábitos de consumo – e é isso que a tendência propõe. “Precisamos olhar para o número indiscriminado de produtos que usamos… N-Beauty pensa em consumo consciente.”

Passo a passo

De acordo com Ale, a rotina nórdica não tem grandes segredos. “É importante ter a pele limpa, hidratada e protegida. Não muito mais do que isso. Apenas saudável e equilibrada. Se a gente usa menos produtos, tem mais controle do que usa, e aí fica muito mais fácil atingir esse equilíbrio.”

Os ingredientes são variados: ácido hialurônico, vitamina C, aloe vera, camomila… As máscaras faciais também podem ser usadas. “Argila tem a cara da N-beauty”, aconselha.

Rotina do Ale Reiis

Ale Reiis é conhecido no Instagram por ser um defensor apaixonado das máscaras faciais. “Tenho até a hashtag #minhamáscaraminhavida, que as pessoas usam muito para compartilhar esse momento que a gente tira só pra gente.”

Foto: arquivo pessoal

“De jeito nenhum fico sem máscara. Ela foi feita para trazer resultado imediato – e é disso que eu gosto. Se estou com o rosto cansado e preciso fazer uma foto, por exemplo, é o que recupera a minha pele”, diz. “ Prefiro as de argila ou carvão e as sheet masks, que são do K-beauty e vieram pra ficar.”

Quanto ao passo a passo diário, ele fala que não dispensa uma boa limpeza e uma boa hidratação. “Uma coisa que eu não fico sem fazer é a limpeza. Eu acho que é a única coisa que a pele não faz sozinha. Mas gosto da tonificação também. É um passo que muita gente pula, mas eu adoro. Também não fico sem hidratante. Nos dias em que vou pra rua de máscara cirúrgica, uso só um sérum hidratante – que a pele absorve muito mais rápido – e protetor solar.”

Vaidoso, ele também curte ter produtos específicos na prateleira. “Eu já passei dos 30, então gosto de ter produtinhos pra situações diferentes. A pele dá uma mudada sazonal… Não preciso ter um arsenal, mas tento cobrir os principais problemas. Por exemplo: geralmente não tenho acne, mas às vezes aparece uma espinha. Aí eu gosto de ter um produto pra isso.”

Os específicos indispensáveis são para olhos, lábios e sobrancelhas. “Adoro creminho para área dos olhos. No começo, eu achava que não funcionava, mas na verdade eu era muito novo e não precisava. Agora faz bastante sentido. Também uso balm labial e produto para nutrir as sobrancelhas. Já perdi os pelinhos e agora invisto nesse cuidado”. Por fim, ele conta que aposta nos esfoliantes químicos de duas a três vezes na semana e é fã da vitamina C.

 “Skincare é pra embelezar a pele, mas é diferente de tratamento. É um carinho, é cosmético. Eu me preocupo em usar marcas com propósito”, finaliza.

K-beauty e J-beauty: um bate-papo com Agatha Garibe

Quem segue a beauty influencer Agatha Garibe no Instagram sabe que ela é apaixonada por rotinas de skincare asiáticas. K-beauty (rotina de skincare coreana) e J-beauty (japonesa) são suas grandes paixões há pelo menos 5 anos. E para nos explicar um pouco mais sobre essas tendências, ninguém melhor do que ela. Confira o bate-papo!

Como você conheceu as rotinas asiáticas?

Eu conheci K-beauty e J-beauty em 2015. Fui ao Japão em 2016 e fiquei completamente apaixonada pelos produtos e pela forma como as asiáticas cuidam da pele. Quando retornei, comecei a seguir os passos, usar os produtos e não parei mais.

Na sua visão, como elas lidam com o skincare?

Elas enxergam que o momento do skincare é só delas, de amor próprio e autocuidado. Cuidar da pele na Ásia é cultural. Lá se aprende desde muito jovem a cuidar da pele do rosto e do corpo. O cuidado com cosméticos anda de mãos dadas com os procedimentos estéticos e as massagens faciais também.

Templo Senso-ji, em Asakusa, Tóquio. Foto: arquivo pessoal/Agatha Garibe

O que te fez ficar apaixonada pelas rotinas?

Os ativos e toda a tecnologia que existe ao redor da criação dos cosméticos, que infelizmente não vemos tanto aqui no Brasil.

Como você define K-beauty e J-beauty?

K-beauty tem aproximadamente 10 passos na rotina diária. J-beauty tem mais ou menos 6 passos. J-beauty acaba sendo mais minimalista porque as japonesas gostam muito dos produtos all in one. Mas ambas são ótimas e têm os mesmos objetivos: prevenção, hidratação e autocuidado. 

O mais importante é conhecer a própria pele, identificar o que ela necessita, ter um bom profissional acompanhando e se amar. A rotina, seja ela K-beauty, J-beauty ou qualquer outra serve para dedicarmos esse tempo só pra gente como um ato de autocuidado e autoaceitação.

Quanto aos ingredientes, quais são os mais usados?

A rotina asiática, de forma geral, é conhecida pela variedade de ingredientes possíveis. Chá verde, centella asiática, germânio, extrato de placenta, soja, hanbang… Alguns mais comuns em K-beauty e outros em J-beauty. Cada produto tem uma função e os cosméticos devem ser aplicados em camadas. Da mais leve para a mais densa. 

Como é a sua rotina?

Hoje eu não tenho mais uma regra. Tem dias que faço os 10 passos, outros que faço 6. Eu me sinto livre para cuidar da pele sem ser uma obrigação. Cuido pelo prazer e por mim. É o meu momento de autocuidado. Um tempo que reservo só para ver o que minha pele precisa e me aceitar do jeitinho que sou.

O que não pode faltar?

Não pode faltar uma boa limpeza da pele, sem uma limpeza efetiva eu comprometo os ativos que vão ser colocados na minha pele após a limpeza. E também não pode faltar o protetor solar que uso até dentro de casa.

AHA x BHA x PHA: quais são as diferenças?

Em resumo, AHAs, BHAs e PHAs são diferentes tipos de ácidos – e estão bastante populares na rotina de skincare de muita gente. Quer ir mais a fundo nas diferenças entre um e outro antes de escolher o seu? Preparamos um intensivão!

AHAs (alfahidroxiácidos)

  • São ácidos solúveis em água
  • Exemplos clássicos: glicólico, lático, mandélico, cítrico
  • Atuam na superfície da pele, melhorando a textura
  • Deixam a camada superficial mais fina e homogênea, diminuindo a aparência de poros e microrrelevo da pele
  • Têm capacidade hidratante (dependendo do pH)
  • Homogenizam o tom da pele melhorando diferenças de coloração (manchas)
  • Têm atividade anti-acne e são bem tolerados por todos os tipos de pele, inclusive peles secas e maduras

BHAs (beta-hidroxiácidos)

  • São ácidos solúveis em gordura
  • Exemplo clássico: salicílico
  • Penetram no poro e regulam a secreção sebácea
  • Ideais para peles oleosas e sensíveis
  • Dependendo da concentração, podem ser calmantes

PHAs (polihidroxiácidos)

  • Têm mecanismo similar ao dos AHAs, porém são moléculas bem maiores
  • Exemplos clássicos: gluconolactona e ácido lactobiônico
  • Têm propriedades antioxidantes
  • Penetram menos e mais lentamente na pele, tendo um efeito mais gentil e suave
  • Têm alta capacidade de hidratação e reparação da barreira da pele
  • Tolerados por peles sensíveis, secas, com rosácea e dermatite (consulte seu médico!)

Dicas gerais!

  • Seja qual for a escolha, comece devagar, com quantias pequenas em noites alternadas e observe a reação da sua pele.
  • Espace as aplicações até a pele se habituar.
  • Não insista em casos de irritação – nem todo mundo precisa usar ácidos todos os dias para ter um bom efeito.
  • Autoconhecimento é tudo!
  • Peles muito sensíveis: começar uma vez por semana pode ser uma alternativa segura.
  • Faça um teste na sua pele do pescoço ou do antebraço para prever uma possível hipersensibilidade ou alergia.
  • Não misture esfoliantes químicos e físicos na mesma rotina.
  • Nunca. Jamais. Em hipótese alguma esqueça o protetor solar.
  • A pele com efeito do ácido perde uma parte da barreira mecânica contra a radiação. Ou seja: você fica mais sensível a queimaduras solares. Tome cuidado!