Maskne: o que as máscaras cirúrgicas têm a ver com a acne?

Você já ouviu falar em maskne? É um termo em inglês que indica a relação entre o uso de máscaras cirúrgicas e o surgimento de acne na pele das pessoas. De acordo com o médico especialista em dermatologia Luiz Romancini, isso acontece por causa de um conjunto de fatores – e esse nem é o único problema de pele possível após o uso do equipamento, embora ele seja extremamente necessário.

“Desde o início da pandemia, casos de acne, rosácea e dermatite atópica e seborreica têm surgido ou agravado nos pacientes”, observa. “A máscara retém mais umidade e mais bactérias, então as pessoas acabam se contaminando, principalmente em volta da boca e do nariz, que são áreas com muitas bactérias.”

Em entrevista ao Medscape, um consagrado portal de notícias médicas, a médica canadense Kimberly LeBlanc chama a atenção para um hábito problemático que desenvolvemos nesse período, principalmente em função da escassez de equipamentos. “Não apenas estamos usando mais EPIs (equipamentos de proteção individual) do que nunca, mas estamos usando de maneiras que não eram previstas. As máscaras não foram projetadas para serem usadas por mais de quatro horas.”

A profissional relembra um estudo realizado em 2006, em Cingapura, que analisou reações adversas cutâneas relacionadas ao uso de EPIs em 307 funcionários de hospital, a maioria enfermeiras. “Entre aqueles que usavam máscaras N95, 60% relataram um aumento na acne, 36% relataram erupções na pele e 51% relataram coceira ou dermatite.”

“Esses efeitos aumentam o risco de infecção do usuário. Se você tiver qualquer tipo de lesão desconfortável no rosto – uma mancha nova, uma erupção cutânea com coceira, uma escoriação ou um ferimento – é provável que inadvertidamente estenda a mão e toque seu rosto ou ajuste a máscara”, diz Kimberly. “Cada vez que você faz isso, você quebra o protocolo de EPI e corre o risco de contaminar seu rosto.”

Além disso, cremes, protetor solar e outros produtos são absorvidos mais rapidamente pela pele quando são aplicados e a máscara é colocada em cima logo em seguida. “Eles penetram no folículo e criam uma predisposição a surgir acne e foliculite ou piorar a rosácea”, esclarece Luiz. 

Para piorar, estamos longe do sol. “O fato de as pessoas estarem andando de máscara na rua faz com que elas se protejam do sol, e a gente sabe que a radiação UV – em doses homeopáticas – tem uma ação anti inflamatória.”

Mas, segundo Luiz, nem tudo é culpa da máscara. “Tem vários fatores aí: a própria rotina das pessoas com relação a sono, alimentação e alteração de peso. Tudo isso pode ter um impacto negativo na aparência da pele.”

E, neste momento, ela é a nossa principal proteção contra o coronavírus.

Como prevenir?

A doutora Kimberly indica a hidratação da pele após o banho, em casa, sempre uma ou duas horas antes de colocar a máscara, para que o produto seja completamente absorvido.

Evite pomadas, cosméticos à base de óleo, derivados do petróleo e outras texturas pesadas. Tudo isso pode ser aplicado à noite, antes de dormir, inclusive cremes de tratamento. Caso o seu dermatologista tenha receitado esses produtos para uso diurno, convém consultá-lo sobre a interação com a máscara.

Outro ponto absolutamente importante é trocar a máscara com frequência. Você deve ficar somente quatro horas com uma mesma máscara. E as máscaras de pano precisam ser lavadas antes de serem reutilizadas.

Caso os sintomas persistam, procure um dermatologista para evitar danos mais sérios à pele.

Posso usar Creamy?

Sim! Os dois ácidos – Mandélico e Glicólico – são de uso noturno e não devem interagir com a máscara. Eles podem, inclusive, ajudar a amenizar a acne.

Mas, de novo, o acompanhamento com um profissional é fundamental.

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