Parafina, amônia e álcool cetílico em cosméticos: fazem mal para a pele?

Você sabia que, apesar de polêmicos, ingredientes como parafina líquida, amônia e álcool cetílico não fazem mal para a pele quando são usados corretamente na formulação de cosméticos?

Para explicar a ação e combater os mitos em volta de cada um, entrevistei o médico pós-graduado em dermatologia Luiz Romancini.

Legislação

Para começar, saiba que não há nenhuma lei na área de cosméticos que estabeleça qualquer restrição quanto ao uso desses ingredientes. Além disso, constam na lista de produtos permitidos pela ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), que regula e aplica a legislação brasileira.

Amônia

É um agente de neutralização de ácidos. Apesar de aparecer na lista de ingredientes de muitos produtos, geralmente não está presente como amônia na formulação. Isso porque é usado somente para ajustar o pH.

Faz mal para a pele?

Quando utilizada no processo de fabricação de cosméticos com AHAs, a amônia reage com os ácidos, sendo neutralizada e totalmente consumida. Ela vira sal e água, mas deixa o produto com o pH desejado e ideal para sua eficácia.

Em outras palavras: não faz mal porque, nesse caso, deixa de ser amônia.

Álcool cetílico

O álcool cetílico é um agente co-emulsionante e emoliente. Ele é derivado de óleos vegetais, como os óleos de coco e de palma. Além de ajudar na formação de uma emulsão estável, possui efeito hidratante na pele.

Faz mal para a pele?

É importante diferenciar o álcool cetílico do álcool etílico. O etílico é extraído de cereais ou da cana de açúcar, tem propriedades antissépticas e características físico-químicas (aspecto, cor, odor) e funções totalmente diferentes do cetílico.

Ao contrário do álcool etílico, que pode causar irritação e ressecamento na pele, o álcool cetílico é suave, seguro e impede a desidratação.

Parafina líquida

Conhecida também como óleo mineral, a parafina líquida é derivada do petróleo e tem função emoliente nos cosméticos. Também possui efeito hidratante.

Faz mal para a pele?

A parafina utilizada em cosméticos segue um critério de pureza que é assegurado pelo uso de métodos e padrões definidos pela Farmacopéia dos Estados Unidos (grau USP – Unitet States Pharmacopeia).

Ela tem longo prazo de validade, além de não promover oxidação nos cosméticos.

É certo que os óleos repelem a água, mas é mito que bloqueiam a respiração da pele. Isso porque nossa pele tem glândulas sebáceas (secretam substâncias lipídicas) e glândulas sudoríparas (secretam substâncias hídricas).

Então, funciona assim: ao aplicar o óleo sobre a pele, por similaridade, ele se mistura com as substâncias lipídicas excretadas pelas glândulas sebáceas e não se mistura com as substâncias hídricas excretadas pelas glândulas sudoríparas, formando uma película que não é contínua sobre a pele. Nessa película ocorre a formação de pequenos canalículos que permitem que a pele respire e exerça sua função normalmente, sem que ocorra qualquer bloqueio.

“Muita gente diz que o óleo mineral é comedogênico, ou seja, causa acne. Esse mito nasceu em 1970, porém desde 2005 estudos científicos esclarecem que o óleo mineral não é comedogênico. Infelizmente essa fama ainda persiste e levará muito tempo para ser revertida após décadas de bombardeio de marketing negativo”, esclarece Luiz Romancini.

Um artigo do pesquisador Joseph C. DiNardo publicado pelo The Journal of Cosmetic Dermatology, o periódico oficial da Academia Internacional de Dermatologia Cosmética, lista ingredientes e os classifica entre 0 e 5, sendo 0 não comedogênico e 5 muito comedogênico. De acordo com a publicação, o óleo mineral (ou parafina líquida) tem grau 0 de comedogenicidade.

Também não é verdade que os óleos impedem a absorção de qualquer tipo de ativo, pois existem ativos lipossolúveis que precisam deles para completar o processo de penetração na pele.

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